sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Obscenidade


O Dicionário Aulete é que nos ensina: 

(obs.ce.ni.da.de)
sf.
1. Qualidade de obsceno, do que é considerado grosseiro e vulgar, esp. em matéria de sexo; INDECÊNCIA
2. Ação, gesto, imagem, objeto, palavra ou pensamento obsceno: "Atrás deles uma mulata... de mãos nas cadeiras, ria-se, tratando-os com obscenidades familiares." (Xavier Marques, O feiticeiro))
3. Caráter do que causa indignação pela falta de decência ou decoro; caráter do que é chocante: Essa roubalheira do dinheiro público é uma obscenidade
[F.: Do lat. obscenitas]

Este navio acima se chama Ob River. Tem 288 metros de comprimento por 44 de largura. São quase 100 mil toneladas de metal para transporte de combustível fóssil (As letras gigantescas LNG são abreviatura de Gás Natural Liquefeito). 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Não dá para Tapar o Sol... Digo, os Gases de Efeito Estufa, com uma Peneira!

O Sol é, como todos sabemos, a fonte primária de energia para o sistema climático da Terra e de todos os demais planetas que o orbitam. Mas a quantidade de energia que chega a um planeta é apenas um dos fatores que determinam o seu clima.


Cerca de 30% da luz solar que chega à Terra é simplesmente devolvida ao espaço, por ser refletida especialmente pelas nuvens que sempre cobrem parte do nosso planeta e por superfícies claras (como a areia dos desertos e, principalmente, o gelo das calotas). Os 70% restantes são absorvidos pelo solo, pelas florestas e demais tipos de vegetação, mas principalmente pelos oceanos, que ocupam 71% da superfície do planeta e refletem pouca luz. Essa energia absorvida aquece o planeta e, como todo objeto, a Terra passa a emitir ondas eletromagnéticas cujas características dependem da temperatura. Nas temperaturas típicas da Terra, o próprio planeta, nós e os objetos ao nosso redor irradiamos na faixa do infravermelho. Assim como a luz, o infravermelho é uma onda eletromagnética, mas de frequência de oscilação mais baixa e “comprimento de onda” mais longo. Ele não é detectado por nossos olhos (que também não nos permitem enxergar nem ondas de rádio, nem ultravioleta, nem raios X, dentre tantas outras radiações de onda mais longa ou mais curta do que a luz visível), mas nas tragédias das guerras é o que permite que mísseis persigam seus alvos (como aeronaves) e que, com o auxílio de óculos específicos, soldados possam ver outras pessoas e veículos, mesmo na completa escuridão. Quanto mais quente o objeto, mais infravermelho é emitido, mais alta é a frequência e mais curto é o comprimento de onda. 

Impossível negar... Está ficando cada vez mais quente!


"Anomalia" de temperatura de 1880 a 2011. Fonte: National
Oceanic and Atmospheric Administration
(NOAA),
disponível em http://www.ncdc.noaa.gov.
Não há mais margem para dúvidas: o sistema climático terrestre está aquecendo. Registros de estações meteorológicas se tornaram regulares a partir do final do século XIX, pouco depois, portanto, do advento da era industrial. Nos últimos 100 anos, em média, a superfície do planeta já aqueceu em cerca de 1°C, como se pode ver na Figura ao lado. Esta figura mostra a chamada “anomalia” de temperatura, isto é, a diferença entre a temperatura observada e a média do século XX, com os três gráficos se referindo respectivamente à média global (acima), à média sobre os oceanos (no meio) e sobre os continentes (abaixo). Fica evidente que, sobre os continentes, o aquecimento é mais pronunciado.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mulheres e Clima: outra Página num Livro Repleto de Desigualdades

Questões de gênero e mudanças climáticas. À primeira vista, não parece ser o par de temas que suscita muitas ligações. Mas felizmente essa questão, que vem sendo discutida por diversos movimentos sociais há anos, está começando a ganhar algum eco nas cúpulas climáticas. A COP18, em Doha, felizmente, abriu espaço para essa discussão. O que é preciso ficar claro é que, como nas questões de classe, de nacionalidade e de etnia, o peso dos impactos das mudanças climáticas é desigual sobre os gêneros. O machismo predomina culturalmente em praticamente todo o planeta e, economicamente a relação entre os gêneros está longe de ser justa.

Biota Marinha: Novos Estudos Mostram a Gravidade dos Impactos da Acidificação dos Oceanos

A teia alimentar dos oceanos está em grave risco por conta da acidificação dos oceanos e, infelizmente os indícios são cada vez mais claros de que os impactos estão vindo mais rapidamente do que se imagina. Branqueamento, adoecimento e morte de corais e mortandade de moluscos já são uma realidade.

Acaba de ser publicado na revista Nature Geoscience um artigo anunciando uma daquelas coisas que realmente me assustam. O artigo (cujo resumo é disponível a todos, mas o texto completo apenas para assinantes), é de autoria N. Bednaršek e colaboradores. Seu título é "Extensive dissolution of live pteropods in the Southern Ocean" e versa sobre a dissolução de conchas de organismos vivos no Oceano Sul (a imagem acima, copiada a partir do artigo, não deixa dúvidas quanto aos efeitos da acidificação).

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

COP18, Sensibilidade Climática e Insensibilidade dos Governos


Todos os indicativos mostram que o sistema climático é bastante "sensível", isto é, perturbações relativamente pequenas podem ter grandes efeitos. A chamada "sensibilidade do sistema climático" é, para nós, cientistas do clima, um parâmetro, um número que guarda um significado muito importante pois ele responde à pergunta: se duplicarmos a quantidade de CO2 na atmosfera da Terra, de quanto a temperatura do planeta subirá?

Acredita-se que esta "sensibilidade" seja de cerca de 3°C (entre 2°C e 4,5°C), isto é, que ao se duplicar a concentração de CO2 atmosférico, a temperatura planetária, ao se atingir um novo estado de equilíbrio, se eleve de três graus.

A figura acima é reproduzida a partir do  4°  relatório   do   IPCC  e  mostra

A Negação das Mudanças Climáticas e seu Despropósito versus a Objetividade e Atitude Ponderada da Comunidade Científica


Tenho recebido respostas interessantes a meus posts anteriores em que discuto a negação das mudanças climáticas. Alguns, que concordam ou simpatizam com a visão dos negadores, compartilharam links que, democraticamente, permanecem na minha página, expondo ainda mais os erros crassos e primários da negação. Como mostro, nenhum dos pseudo-argumentos apresentados se sustenta de pé, tendo eu mesmo os refutado ou indicado links que desmistificam tudo. Em alguns casos, indicar outros materiais de sites confiáveis como www.realclimate.org ou www.skepticalscience.com torna-se mais fácil e prático, pois uma característica da incansável hidra negadora é a da reciclagem de material (pelo menos nisso, ela é ecologicamente correta...). Algo desmentido uma vez pode aparecer noutro momento e/ou noutro país como uma “nova descoberta” para mostrar que “o aquecimento global é uma farsa” e toda a ladainha negadora repetida à exaustão, no esforço de repetir tanto uma mentira até que ela pareça verdade. Infelizmente, como mostrei no "texto do bode", algumas dessas mentiras parecem mesmo ter forte tendência a serem perpetuadas, como as acusações grotescas contra Michael Mann e outros cientistas.

domingo, 25 de novembro de 2012

As Mudanças Climáticas e as Cidades

Evento extremo em 22/06/2012, em Fortaleza

Como tenho afirmado em diversos textos, a questão climática põe em evidência, como poucas, a desigualdade em escala mundial. Os capitalistas, os ricos, os países centrais são, historicamente, aqueles que emitem gases de efeito estufa em grande escala. O habitante médio de países como os EUA, o Canadá e a Austrália apresenta uma “pegada” de carbono mais de 100 vezes maior do que a média dos habitantes de Moçambique, Somália, Afeganistão, Mali, Etiópia... E de maneira cruel, os impactos das mudanças climáticas tendem a incidir de forma muito mais intensa precisamente sobre os pobres dos países pobres; sobre aqueles que não se beneficiaram do “desenvolvimento” proporcionado pelo desvario fóssil.
A relação entre o clima e os assentamentos humanos é multifacetada e

sábado, 24 de novembro de 2012

"What would you do if you knew what I know"

Meu time de "heróis" é para lá de diverso. Nele estão Marx, Trotsky, Rosa Luxemburgo e Gramsci. Nele estão Einstein, Lennon, Sagan e Dawkins. Mas são para mim heróis como os deuses gregos e afrobrasileiros: assumidamente humanos e imperfeitos.

"Olimpo", portanto, onde cabe mais um que, sendo para mim "herói", está longe de ser divindade. Falo de um que não citei acima. Não... Ele não é um militante revolucionário... Foi eleitor tradicional do Partido Republicano, algo para lá de esperado para alguém nascido no interior, filho de agricultores, no estado americano de Iowa. Trata-se de James (Jim) Hansen, o "cientista reservado do meio-oeste", o autor da frase que dá nome a este blog. Eu não concordo com ele quanto às maneiras de equacionar o problema. Mas estou inteiramente de acordo quanto à compreensão da urgência e da importância da crise climática.

Reverencio a honestidade intelectual e científica deste velho pesquisador, a quem tive a honra de ouvir palestrar, sentado na segunda fila de um auditório pequeno e superlotado, em Viena, este ano. Uno-me, humildemente a ele, em uníssono, na pergunta "o que você faria se soubesse o que sei". E uno-me, igualmente, na resposta. E dentro dos meus limites, este blog é a minha resposta, pois é o veículo que encontrei para expor a crise climática e dialogar com vocês. Nesta reverência, divulgo o link para uma palestra de Jim, para mim, emocionante!

A Negação das Mudanças Climáticas, o Bode e os Gambás: O que é uma Opinião Ponderada?


Neste texto, quero expor um dos perigos em relação à ofensiva dos negadores das mudanças climáticas. Não se trata da aceitação acrítica dos seus pontos de vista, pois realmente duvido que tomadores de decisão das esferas governamentais, setores da academia de outras áreas e a sociedade em geral tendam, majoritariamente, a deixarem o discurso anti-cientítico ou pseudo-científico se espalhar sem questionamento.

O efeito colateral realmente perigoso da ofensiva dos negadores é contaminar o senso comum, que tende à moderação, induzindo-o a opinião falsamente ponderada. Em outras palavras, se os negadores conseguirem deixar a impressão de que existe um "debate" sobre as mudanças climáticas; que há dois grupos "radicais" cujas opiniões não refletem a realidade que estaria "em algum lugar no meio"; que o saldo na opinião pública seja algo como "ok, o problema existe, mas não é tão grande assim", especialmente tendo eles recebido atenção da mídia e do público, terão conseguido seu verdadeiro intento.

Alguém acredita que possa haver uma "verdade intermediária" entre a evolução e o criacionismo? Que possa haver uma "opinião ponderada" existente entre a condenação ao nazismo e a negação do holocausto?

Pela Extinção dos Combustíveis Fósseis!

Tem havido todo um debate em torno da divisão dos chamados "royalties" do petróleo, que tenho considerado superficial e enviesado. Lamento que a questão climática, absolutamente central para a humanidade neste século XXI sequer seja tangenciada. As "polêmicas", para mim, soam vazias de sentido, qualquer que seja a destinação final dos tais royalties (fiquem majoritariamente com os estados de origem do recurso fóssil ou sejam distribuídos equitativamente, sejam destinados por completo à educação ou para outros fins, os mais nobres que você possa imaginar...), o efeito final do uso das reservas fósseis é de um dano incomensurável. É certamente muito maior do que qualquer benefício de curto prazo que se possa aferir.

Em outros temas ambientais, a adoção do princípio de precaução e, sobretudo, a primazia do raciocínio de longo prazo, em detrimento da exasperação da busca de benefícios de curto prazo me parece bem melhor equacionada. É o caso, por exemplo, das florestas. Hoje em dia, em meio a formuladores de políticas, governantes de diversos matizes e na população em geral, é mais ou menos bem aceita a noção de que a devastação das florestas não pode ser admitida, por mais que fosse produzida e bem distribuída riqueza a partir de criação de gado, plantio de soja ou extração de madeira! Sabe-se que, em nome da preservação de serviços ambientais, da água, do clima local, da biodiversidade, enfim, numa perspectiva de sustentabilidade, é quase universal (com exceção dos ruralistas mais empedernidos) a compreensão de que as taxas de desmatamento devem declinar e que, pelo uma parcela significativa das florestas tem de ser mantida.

Infelizmente, não há o mesmo tipo de compreensão no que diz respeito ao uso do petróleo, carvão e demais combustíveis fósseis. Talvez porque os danos associados não seja locais, e sim globais, temos uma triste contradição: as consequências da queima desenfreada de combustíveis fósseis são mais profundas e de maior escala, mas menos perceptíveis por não se se darem de maneira localizada e concentrada. Exceto quando há um derramamento de petróleo com uma calamidade ambiental e todos vêem manchas de óleo nos mares, as pessoas tendem a naturalizar o uso dos combustíveis fósseis, sem se darem conta da catástrofe anunciada em cada ppm (parte por milhão) a mais de CO2 na atmosfera. Acreditem, a questão é para lá de séria e espero poder mostrar para vocês que a única escolha racional possível por parte da humanidade é manter a grande maioria das reservas fósseis exatamente onde estão: soterradas, intocadas, sacrossantos restos mortais das florestas do Carbonífero!

Não sou alarmista, nem utópico

alarmista
a.lar.mis.ta
s m+f (alarma+ista) Pessoa que espalha boatos alarmantes.


utópico
u.tó.pi.co
adj (utopia+ico2) 1 Relativo a utopia. 2 Que encerra utopia. 3 Fantasioso.

Divulgar os resultados robustos da Ciência do Clima, recorrentemente confirmados por fontes independentes que vão desde medidas de superfície a estimativas por satélite, de resultados convergentes de uma miríade de modelos climáticos a testemunhos do paleoclima nada tem a ver com "espalhar boatos".

A Negação da Mudança Climática e a Direita Organizada - Sobre Felício e Molion

Este material foi originalmente publicado como três notas em separado, no Facebook, mas aqui no "O que você faria...", resolvi publicá-los como um único texto. Em várias outras ocasiões, teremos oportunidade de verificar quão falsamente grosseiros são os pretensos argumentos dos negadores, particularmente de Molion e Felício, que são os mais estridentes e que contam com um estranho apoio de mídia (dado que ambos, principalmente o segundo, possuem baixa produção e não têm nenhum destaque acadêmico).

A tentativa é de encontrar razões para as atitudes dos mesmos. Sei que certamente boa parte da impostura brota da vaidade. Como pavões, querem aparecer e, como não o fazem por mérito acadêmico, tomam um atalho. Aproveitam-se do desconhecimento do grande público sobre o assunto e mentem descaradamente, denegrindo e desrespeitando o conjunto da comunidade científica.

Só que não para nisso. Desconheço o quanto há de interesse e de ganho financeiro (nos EUA, muitos negadores são abertamente bancados pela indústria de combustíveis fósseis), mas na falta de evidências mais sólidas (apenas, como vocês verão, o agronegócio adora chamar o Molion para palestras que, possivelmente, não sejam gratuitas), nada posso afirmar a respeito. 

Descobri, no entanto, que há uma teia de vínculos políticos por trás dos dois, que é fundamental revelar, até para que caia a máscara de isenção por parte desses senhores. Costumo dizer que uma molécula de CO2 não tem ideologia e absorve infravermelho independente de nossas opiniões político-ideológicas, o que é obviamente aceito por todos os cientistas da área que conheço, independente da referência política deles ser o PSOL, o PT, o PV ou o PSDB (sim, conheço colegas com todos esses matizes e eu mesmo me filiei ao primeiro). Mas há, para certos grupamentos extremistas de direita a necessidade de dar um passo além: para justificar seus ataques ao ambientalismo, precisam renegar o que a ciência estabeleceu. Para estes, é conveniente contar com um punhado de pessoas vindas da comunidade científica, mas que não tenham o escrúpulo de negar a ciência para lhes servir de porta-voz. Essa relação íntima, simbiótica, entre os delírios de grupos fascistóides e a vaidade emplumada dos negadores resulta num teatro ridículo. É ela que é exposta no que segue.

Em Defesa da Ciência do Clima




Tenho me preocupado muito com os ataques feitos recentemente à Ciência do Clima, dentre outros motivos, porque estes tem se constituído num amálgama estranho que reúne o Tea Party, a indústria petroquímica e pessoas que parecem acreditar numa grande conspiração imperialista para, ao impedir que queimem suas reservas de combustíveis fósseis, a periferia do capitalismo se “desenvolva”, o que, com o perdão da palavra, já é per si uma visão absolutamente tacanha de “desenvolvimento”.

Mas essa não é uma questão ideológica, mesmo porque se o fosse estaria eu distante de Al Gore. É uma questão científica, pois moléculas de CO2 não têm ideologia. O que elas são dotadas, assim como outras moléculas (caso do CH4 e do próprio vapor d’água), é de uma propriedade da qual não gozam os gases majoritários em nossa atmosfera, que é a de um modo de oscilação cuja frequência coincide com a de uma região do espectro eletromagnético conhecida como infravermelho.  A retenção do calor é uma consequência da presença desses gases (mesmo tão minoritários) na atmosfera terrestre. Não fosse por eles, a Terra teria temperatura média de -18 graus, em contraste com os moderados 15, para não falar do papel dos mesmos em mantê-la entre limites amenos. A Terra não é Mercúrio que, por não ter atmosfera, devolve livremente a energia absorvida do Sol na porção em que é dia, levando-o a contrastes de temperatura de 430 graus durante o dia e -160 graus à noite. Felizmente, tampouco é Vênus, cuja cobertura de nuvens faz com que chegue à sua superfície menos energia solar do que na Terra, mas cujo efeito estufa, causado por sua atmosfera composta quase que exclusivamente por CO2, eleva sua temperatura a praticamente constantes 480 graus.

Desconhecer essas idéias científicas simples, de que o CO2 é um gás de efeito estufa (conhecido e medido por Tyndall, Arrhenius e outros, desde o século XIX), com mecanismo bem explicado pela Física de sua estrutura molecular; ignorar o conhecido efeito global que o CO2 tem sobre um planeta vizinho, o que é bem estabelecido pela astronomia desde o saudoso Sagan, não faz sentido, especialmente no meio acadêmico, onde encontram-se alguns dos negadores mais falantes. A esses eu gostaria de lembrar de algo básico no método científico. De um lado, a ciência não tem dogma, nem verdades definitivas. Suas verdades são sempre, por construção, parciais e provisórias (que bom, senão viraria algo chato e tedioso como, digamos, uma religião). No entanto, por outro lado, o conhecimento científico é cumulativo e, nesse sentido, não se pode andar para trás! Só quando uma teoria falha, se justifica uma nova e esta não pode ser apenas a negação da anterior, pois precisa ser capaz de reproduzir todos os seus méritos (caso da Mecânica Clássica e da Relatividade, que se reduz à primeira para baixas velocidades).

Não é uma questão de crença. “Monotonia” à parte, é ciência bem estabelecida, bem conhecida. Tanto quanto a Gravitação Universal (que também é “apenas” uma teoria) ou a Evolução das Espécies.

Dando voz ao clima

A frase que dá nome a este blog foi proferida por James (Jim) Hansen, pesquisador senior da NASA. Hansen se refere especificamente à sua prisão, num protesto em frente à Casa Branca, mas também à necessidade de que os cientistas em geral (e os cientistas do clima em particular) comuniquem à sociedade seus conhecimentos, especialmente quando se trata de questões cruciais para o futuro do gênero humano e, porque não dizer, da vida no planeta, como a questão climática. O megafone da minha foto simboliza essa atitude de bradar em voz alta, da forma mais enfática e com o maior alcance possível. Tentarei usar este instrumento para debater a questão climática e suas implicações. Sejam bem vindos.

Negacionismo: O Falso Galileo - Parte II: "Democracia" e Chantagem

Galileo Galilei (1564-1642) sofreu a fúria da Inquisição por sustentar um ponto de vista baseado em evidências contra os que queriam ...

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